O Método
Reequilíbrio Toracoabdominal
O Reequilíbrio Toracoabdominal (RTA) é um método de terapia manual que atua sobre o sistema respiratório através de uma leitura global em situações de doenças ou disfunções.
Apresentação
A aplicação da técnica de RTA promove
- 01Redução do esforço muscular respiratório.
- 02Desbloqueio da caixa torácica.
- 03Integração entre as atividades respiratórias e não respiratórias.
- 04Remoção de secreções das vias aéreas superiores e inferiores.
- 05Mudanças no estado físico frente às agressões biológicas e emocionais.
A aplicação da técnica de RTA promove:
A aplicação da técnica consiste em um manuseio sofisticado que respeita e contempla a biomecânica respiratória e a expressão humana com objetivo de organizar e sincronizar a respiração no complexo toracoabdominal, em repouso e nas diferentes atividades motoras sejam elas lúdicas, laborais, esportivas ou artísticas.
O método RTA trata indivíduos em todas as fases do crescimento e desenvolvimento nos diferentes contextos de assistência à saúde, seja hospitalar, ambulatorial ou domiciliar.
Áreas de atuação: neonatologia, pediatria, adolescentes e adultos.
Além das condições disfuncionais primárias e secundárias do sistema respiratório, também pode ser associado à atividades terapêuticas e atividades que visam promover o desenvolvimento físico e funcional do individuo.
Olhar integral
O que quer dizer olhar para o sistema respiratório de forma integral?
Quer dizer olhar para os pulmões e para o sistema muscular que move a respiração. Assim como os músculos de nossas pernas e quadris nos permitem andar, muitos músculos localizados na caixa torácica e no abdômen contraem e relaxam para colocar ar para dentro e para fora dos pulmões.
Esse sistema muscular respiratório executa outras tarefas que são essenciais para o desenvolvimento das atividades de nosso dia a dia. O sistema muscular respiratório também é responsável pela postura do tronco, que envolve as regiões da coluna vertebral, do tórax, do abdome e da pelve. Além da respiração e da postura, esses músculos executam vários movimentos do tronco, do braço e até mesmo auxiliam movimentos das pernas. Os músculos respiratórios têm várias funções e precisamos deles para levar o alimento à boca, para virar a cabeça para melhorar nosso campo de visão, para brincar, correr, praticar esportes, trabalhar e fazer tudo que esteja relacionado ao movimento e a manutenção da postura, além é claro, de respirar. E tudo isto é feito ao mesmo tempo!! Indivíduos saudáveis exercem estas atividades combinadas sem esforço, mas os que apresentam disfunções respiratórias e ou da postura e ou do movimento têm muita dificuldade em coordenar tantas tarefas.
Por isto o método RTA avalia e trata os pacientes considerando o funcionamento global do corpo, considerando o que acontece dentro dos pulmões e o que acontece com os músculos respiratórios, com a postura e com o movimento. Especial atenção é dada à alimentação e ao sono e seus possíveis distúrbios.
O que acontece com o corpo quando ele fica doente da respiração? Os músculos começam a trabalhar em esforço. Ao invés de ser um movimento tranquilo, a respiração começa a chamar atenção, os movimentos ficam limitados e a postura do corpo tende a ficar mais desmontada. O esforço respiratório faz parte da doença e deve ser imediatamente tratado porque esforço gera mais esforço. Assim como os médicos prescrevem remédios, os fisioterapeutas que praticam RTA tratam esse desconforto respiratório de forma gentil, sincronizando e coordenando a respiração e por consequência, removendo o acúmulo de secreções. A gentileza é uma característica importante no tratamento porque o paciente já está cansado e todo o objetivo é fazer com que ele fique equilibrado e mais tranquilo.
O esforço para respirar pode variar muito e em situações graves, os pacientes podem precisar de ventilação mecânica com máscara ou até mesmo intubados. Nessas situações o método RTA também pode ser realizado com muito sucesso e pessoas nessas condições merecem ainda mais gentileza e compaixão durante o tratamento porque seu sofrimento é intenso.
O tratamento não se restringe a pacientes hospitalizados e pode ser realizado nos domicílios, consultórios e ambulatórios. Quando o paciente vai evoluindo e ficando menos grave da respiração, os movimentos corporais são coordenados com a respiração gerando pequeno gasto de energia. No tratamento com o método RTA o movimento é introduzido de forma gradativa para não gerar mais esforço respiratório.
Assim, é possível integrar respiração, postura e movimento para que a pessoa, de qualquer idade realize seus desejos. Seja o desejo de mamar sem esforço, de brincar, de correr, de trabalhar, caminhar, pintar, tocar um instrumento, praticar um esporte ou simplesmente relaxar e aproveitar a vida
A Técnica
A Técnica
O RTA – Reequilíbrio Toracoabdominal – é um método de terapia manual global que tem por objetivo incentivar a ventilação pulmonar e promover a remoção de secreções pulmonares e das vias aéreas superiores através da reorganização do sinergismo muscular respiratório, que se perde na presença de disfunção respiratória. Essa reorganização, no repouso e durante as atividades funcionais, possibilita a redução do esforço muscular ventilatório, melhora a ventilação e otimiza as atividades funcionais.
As medidas terapêuticas para alcançar tais objetivos baseiam-se no alongamento e fortalecimento dos músculos respiratórios, além da facilitação da adequação da tonicidade muscular, na tentativa de vencer as tensões elásticas e obstrução pulmonares aumentadas na vigência de pneumopatias. O RTA preconiza que as disfunções e doenças respiratórias apresentam sequelas musculares, posturais, ocupacionais e sensório-motoras.
Esta técnica busca a reabilitação da função respiratória de forma integral, entendendo a interação do indivíduo com o meio ambiente e consigo mesmo. O tratamento da pessoa com disfunção ou doença respiratória merece uma abordagem global, assim como são globais as funções dos músculos respiratórios que possuem algumas ações puramente relacionadas à respiração e outras que facilitam funções como a alimentação, a captação sensorial, as reações de retificação e equilíbrio, o trabalho, a higiene pessoal, a fala e a excreção.
Ao abordar os distúrbios respiratórios de forma abrangente é possível proporcionar habilitação, otimização e reabilitação do sistema respiratório, reintegrando respiração à atividade sensório-motora global, oferecer ao paciente a possibilidade de uma melhor qualidade de vida, valorizar suas potencialidades e, acima de tudo, reduzir o esforço muscular respiratório e o excesso de gasto de energia em repouso e durante as atividades funcionais.
O Método Reequilíbrio Toracoabdominal – RTA – foi assim denominado porque as alterações mecânicas resultantes de patologias respiratórias demonstram desequilíbrio de forças entre músculos inspiratórios e expiratórios (torácicos e abdominais). Este desequilíbrio muscular e as alterações do volume pulmonar modificam o Ponto de Equilíbrio do tórax (Capacidade Residual Funcional ou Nível de Repouso) que se desloca em sentido inspiratório nas patologias obstrutivas e expiratório nas patologias restritivas. A mudança do Ponto de Equilíbrio do Sistema Respiratório gera esforço muscular ventilatório, aumento do gasto energético, bloqueio da caixa torácica, alterações de tonicidade e força dos abdominais (músculos expiratórios), impactação articular e limitação das atividades funcionais.
O tratamento não se constitui de manobras isoladas, mas de um manuseio dinâmico orientado pela biomecânica respiratória normal e pela fisiopatologia das disfunções respiratórias. Tal manuseio se caracteriza por um conjunto de ações terapêuticas manuais, ajustes posturais, exercícios e uso de artefatos para posicionamento adequado de forma a recuperar o sinergismo muscular ventilatório e a homeostase.
A aplicação da técnica possibilita a reorganização da geometria e do sincronismo toracoabdominal, reexpansão de áreas hipoventiladas, melhora a ventilação, a qualidade do fluxo, a remoção de secreções pulmonares, o incremento das atividades não respiratórias e a reestruturação da postura.
Os grandes objetivos do tratamento através do RTA são:
- Redução do Esforço Muscular Ventilatório
- Remoção de Secreções
- Desbloqueio do Tórax
- Reintegração das Atividades Respiratórias e não Respiratórias
- Gerar mudanças no estado físico frente às agressões biológicas e emocionais.
A finalidade maior do tratamento através do RTA é a melhora da função respiratória, mas somente ao coordenar funções não respiratórias e respiratórias estaremos realmente iniciando a restauração de uma respiração mais eficiente, já que as duas grandes funções dos músculos ventilatórios estão integradas em nossas atividades de vida diária.
Assim, o Método RTA não se limita apenas aos indivíduos que apresentam doenças respiratórias como também se aplica às disfunções respiratórias geradas por estresse, alterações posturais, distúrbios neurológicos, cirurgias, refluxo gastroesofágico, entre outras.
Indivíduos saudáveis podem melhorar sua performance no que diz respeito às atividades esportivas, artísticas (atores, cantores e músicos) e laborais.
O Método
Avaliação
O conceito de avaliação do Método RTA – Reequilíbrio Toracoabdominal – considera que cada pessoa desenvolve uma forma particular de biomecanismos respiratórios e corporais em resposta ao distúrbio respiratório que apresenta. A manifestação da respiração do indivíduo, em repouso e durante a atividade, possui características únicas relacionadas a fatores, como:
- Fisiopatologia da Doença Pulmonar;
- Extensão da doença pulmonar;
- Idade;
- Características familiares, tais como: tonicidade muscular, postura corporal;
- Estado nutricional;
- Profissão;
- Doenças associadas;
- Comprometimento do Sistema Músculo Esquelético;
- Características Psico-Comportamentais;
- Grau de Treinamento Muscular e Cardiorrespiratório.
A análise das características acima referidas auxilia o fisioterapeuta a ter uma ideia geral do quadro do paciente e a traçar um plano terapêutico a curto, médio e longo prazo, que vise prevenir complicações e retardar ou evitar sequelas inerentes à doença respiratória em questão.
O fisioterapeuta deve avaliar o paciente com distúrbio respiratório todos os dias e a tomada de decisão terapêutica depende da interpretação dos seguintes fatores:
- Ausculta Pulmonar e sinais vitais;
- Padrão de respiração;
- Bloqueio inspiratório e padrão de postura;
- Qualidade da movimentação global do paciente;
- Integração da respiração com a atividade sensório-motora;
- Funções de excreção e expressão.
Vários fatores podem modificar o padrão de requisição da musculatura respiratória e desta forma, a maneira como o paciente respira se modifica. As variáveis consideráveis para estas modificações podem ser:
- Quantidade de secreções pulmonares;
- Presença de broncoespasmo;
- Refluxo gastroesofágico;
- Padrão do sono;
- Aspectos emocionais e comportamentais;
- Complicações;
- Perda de peso;
- Padrão postural.
A respiração, em condições normais, deve ocorrer com mínimo esforço, mínimo gasto energético e máxima eficiência para possibilitar o desenvolvimento das atividades funcionais imprescindíveis para a realização do ser humano. Por ser a respiração uma função mantenedora da vida, a presença de esforço respiratório limita o desenvolvimento e a qualidade das atividades sensório-motoras.
Os sinais de esforço devem ser constantemente minimizados e evitados, através da estruturação de arranjos ventilatórios biomecânicos que favoreçam a ventilação pulmonar e que integrem uma respiração de mínimo esforço à atividade sensório-motora adequada à idade cronológica de cada paciente.
O Método
Histórico
O Método RTA – Reequilíbrio Toracoabdominal – surgiu na década de 1980 em função do desejo de sua idealizadora, a fisioterapeuta Mariangela Pinheiro de Lima, de alcançar melhores resultados do que os obtidos com as técnicas aplicadas até então. Trabalhando em um hospital pediátrico, onde a imaturidade de bebês e crianças com doenças respiratórias não permitia que eles obedecessem a comandos, ela começou a elaborar uma atividade terapêutica que levaria em conta várias alterações que estes distúrbios promovem, como sensoriais, posturais, motoras e ocupacionais. Além de se preocupar com o acúmulo de secreções apresentado pelos pacientes, notou que as alterações mecânicas da caixa torácica e do abdômen decorrem e contribuem para a acentuação dos distúrbios ventilatórios.
Naquela época, pouca ou nenhuma importância era dada aos músculos respiratórios no enfoque da terapia respiratória e a divulgação dos conceitos do método RTA causou estranhamento, pois associar alterações musculares e posturais à doença respiratória era uma ideia muito nova.
O trabalho, ainda não nominado Reequilíbrio Toracoabdominal, foi apresentado pela primeira vez durante o III Simpósio Internacional de Fisioterapia Respiratória, em Recife, no ano de 1986. A conferência ”Tratamento Fisioterápico do Tórax Enfisematoso” foi publicada na revista da Sociedade Universitária Augusto Motta, série Fisioterapia no Hospital Geral, tema 21, 1986. Nesta conferência, Mariangela Pinheiro de Lima enunciou alguns dos importantes princípios do Método RTA, como os que podem ser conferidos a seguir:
- A hiperinsuflação pulmonar e o esforço dos músculos inspiratórios frente a obstrução, conduzem ao encurtamento destes músculos e à fraqueza dos músculos expiratórios;
- O encurtamento dos músculos inspiratórios diminui a elasticidade e a expansibilidade da caixa torácica;
- Embora a musculatura acessória da inspiração trabalhe em esforço e se encurte, apresenta debilidade em suas ações não respiratórias;
- As deformidades torácicas (no caso, o tórax em tonel), também ocorrem em patologias agudas, desde que haja aprisionamento de ar, esforço respiratório e encurtamento dos músculos acessórios da inspiração;
- A respiração diafragmática não deve ser condicionada através de solicitação. Deve-se dar condições mecânicas ao paciente para que ele respire adequadamente;
- O fortalecimento do diafragma deve ser obtido através de estímulos pressóricos, térmicos e/ou por ajustes posturais, sem aplicar resistência nas vias aéreas;
- Nos pacientes obstrutivos, os movimentos de abdução e flexão anterior dos braços devem ser feitos durante a fase expiratória e o tórax deve ser estabilizado, direcionando as costelas para baixo e para o centro para haver real afastamento da origem e inserção dos músculos acessórios da inspiração e consequente alongamento.
O Método RTA pode ser aplicado a pacientes de todas as idades e patologias que resultem em disfunção respiratória, desde o prematuro até o adulto. A condição clínica não é limitante para aplicação da técnica, pois o manuseio muda de acordo com as possibilidades de cada paciente.
Independente do grau de desconforto respiratório a aplicação correta do RTA deve resultar, em primeiro lugar, na redução do esforço muscular respiratório. De fato o conceito RTA é de reestruturação da biomecânica respiratória e isto pode ser alcançado em diferentes situações.
A fisioterapeuta Mariangela Pinheiro de Lima coordena e ministra cursos de formação, palestras, aulas, conferências sobre o método RTA e assuntos correlacionados desde a década de 80. Ao longo desses anos milhares de profissionais já participaram de cursos de RTA e atualmente o conceito, amplamente aceito e recomendado, está presente nas principais instituições que tem como foco a assistência global e humanizada.
Manifesto
Somos promotores de impacto positivo na vida de tantas pessoas além daquelas que diretamente atendemos e sabemos da nossa importância em cada vida transformada.
Acreditamos que não é necessário sentir dor, desconforto respiratório ou quaisquer outros constrangimentos físicos e emocionais para melhora da saúde.
Acreditamos que todo ser humano é igual e merece o melhor tratamento.
Acreditamos na equidade e por isso respeitamos e consideramos o contexto social e cultural diferente de cada pessoa que reabilitamos e sua família.
Atentos aos desafios globais, entendemos que com o Reequilíbrio Toracoabdominal – RTA podemos contribuir significativamente com o ponto 3.2 da ODS 3 – OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – que é
“3.2 Nações Unidas: Até 2030, acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, com todos os países objetivando reduzir a mortalidade neonatal para pelo menos 12 por 1.000 nascidos vivos e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para pelo menos 25 por 1.000 nascidos vivos. Brasil: Até 2030, enfrentar as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, objetivando reduzir a mortalidade neonatal para no máximo 5 por mil nascidos vivos e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para no máximo 8 por mil nascidos vivos.”
Faz parte de Saúde e Bem-Estar – Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
